Por Pedro C. Costa
No final do ano passado eu presenciei duas situações muito tocantes nas quais meditei e que me levaram a este post.
Conheci na orla da praia que frequento uma família muito bonita. Eram eles um casal que estavam de férias com um filho solteiro, uma filha casada com o seu esposo e um netinho. Ocorreu que estávamos sentados conversando sobre a importância da família quando o progenitor confessou diante todos o seguinte:
- Eu não me lembro de que um de meus filhos tenham dito que me amavam.
Fiquei um pouco encabulado e, na tentativa de desviar o constrangimento daquela afirmação, mudei a conversa para um outro assunto relevante. Isto ocorreu dia 31 de Dezembro 2016, sendo que logo após, retornaram para a cidade onde residiam.
No dia seguinte, estava naquele mesmo local me preparando para entrar no mar, quando veio em minha direção um jovem senhor que foi logo dizendo:
- Estou passando o feriado aqui com minha família, mas o meu coração está doendo muito por causa da morte prematura de meu pai, ele faleceu aos 50 anos. Estou sentindo muito a falta dele.
Naquele instante me senti comovido diante de um olhar cheio de lágrimas, que tive de conter as minhas, pois ainda sinto muita falta do meu querido pai que deixou esta vida bem mais idoso.
Recordando esses dois fatos me questionei se seria necessário a gente sempre dizer que amamos aqueles a quem nos são muito queridos, ou, se seria suficiente demonstrar o nosso amor por eles com pequenos gestos.
Devo dizer porém, que isso vai depender muito de cada um de nós, assim como também das situações. Gosto de me declarar como sempre faço com os meus filhos. Quando falo com eles, não economizo as palavras e vou dizendo:
- Filho eu te amo!
Para minha alegria todos os dois rebatem a frase:
- Eu também te amo, pai!
Ocorre que esse blog foi criado na intenção de homenagear a memória de meu pai, que não poupou sua vida de tanto trabalho para amparar os seus dez filhos.
Hoje não me recordo de ter ouvido de meu pai expressões explícitas de amor como estas. Mas a sua dedicação a nós foi a maior declaração de amor que alguém pode fazer aos seus filhos.
Assim, meditando em grandes coisas que se passam em nossa vida, aprendi que os pequenos gestos fazem a grande diferença. Mas, as declarações veladas deixam marcas... naqueles que passam por nós e ficam...
Saudade que mata, dói e finca... saudade algoz... os anos se passam... só não passam as lembranças... são elas as únicas que ficam pra sempre em nós...
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